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// Maquetes Inteligentes

O Crédito no Canto da Tela: Três Erros Comuns ao Digitalizar um Lançamento

Abra a maquete digital de qualquer lançamento e olhe o canto inferior direito da tela. Na maioria das vezes não há nada ali. Em um projeto bem feito, existe uma linha miúda de texto, e ela dá trabalho para manter.

Essa linha é o primeiro sinal de que alguém conferiu as licenças dos dados usados. Digitalizar um lançamento envolve mapas, modelos, plantas e números de disponibilidade, e cada um desses itens tem regras. Três erros aparecem com frequência.

Erro 1: mapa sem o crédito de quem o desenhou

Boa parte dos mapas digitais usa dados do OpenStreetMap, o mapa colaborativo mantido por voluntários. O uso é livre, inclusive comercial, mas com uma condição: dar o crédito. A licença, chamada ODbL, pede o texto “© OpenStreetMap contributors” e que fique claro que os dados estão sob a Open Database License. Em mapas navegáveis, o crédito deve aparecer no canto do mapa.

Há ainda uma regra menos conhecida: quem altera esses dados ou constrói em cima deles só pode distribuir o resultado sob a mesma licença. Por isso vale saber, antes de começar, de onde vem cada camada do entorno.

Erro 2: a unidade que aparece livre e já foi vendida

O segundo erro não é de licença, é de informação. Uma maquete inteligente costuma mostrar a disponibilidade de cada unidade. Durante a produção, esses números vêm de uma planilha de teste. Se ela for para o stand sem ser ligada à tabela real da incorporadora, o corretor mostra como livre o que já tem dono, e o contrário também acontece.

O Código de Defesa do Consumidor trata a oferta suficientemente precisa como vinculante (art. 30) e define a publicidade enganosa como qualquer informação capaz de induzir o consumidor a erro, inclusive por omissão (art. 37, § 1º). Cada caso depende do contrato e da orientação do jurídico da incorporadora, mas o princípio é simples: o que está na tela precisa ser verdadeiro na hora em que o cliente olha.

Duas soluções resolvem a maior parte do problema. Ligar a disponibilidade à fonte oficial de vendas, ou, em demonstração, deixar escrito na tela que os números são de exemplo.

Erro 3: a planta da tela diferente da planta do memorial

O projeto muda enquanto o material de venda é produzido. Uma parede sai do lugar, um acabamento é trocado, a varanda ganha outro desenho. O memorial descritivo, que faz parte do registro da incorporação (Lei 4.591/1964, art. 32), e a tabela de vendas acompanham essas revisões. O material digital nem sempre. Quando a tela mostra a versão antiga, o comprador vê uma coisa e assina outra.

Vale o mesmo princípio do erro anterior: a oferta precisa vincula quem a faz. Por isso cada revisão do projeto tem que chegar também à tela, e o que for só ilustrativo, como mobília e decoração, precisa estar indicado como tal.

O custo de acertar no começo

Os três erros têm algo em comum: custam quase nada para evitar no início e muito para consertar depois. Uma linha de crédito leva minutos. Refazer o material de um lançamento já publicado, com vídeos, peças e apresentações no ar, dá muito mais trabalho.

Como engenheiro civil, trago um hábito da obra: ninguém concreta uma laje sem conferir a fôrma e a armação. Material digital de lançamento merece a mesma conferência, e ela cabe numa lista curta: de onde vem cada dado, qual é o crédito exigido, e se a informação mostrada é a mesma que está no contrato.

Lançamento imobiliário Digitalização Licenças de dados Código de Defesa do Consumidor Maquete inteligente

Fontes

Fontes: OpenStreetMap · Lei 4.591/1964 · CDC ← Voltar ao blog
// Vamos conversar

Seu cliente escolhe o apartamento e vê a vista do entorno real a partir do andar da unidade.

Maquetes inteligentes para construtoras e incorporadoras: modelo navegável no entorno real, vista do andar, sol por data e hora e cada unidade marcada no prédio, na tela do stand.