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Estoque Recorde em São Paulo: Quanto Custa um Apartamento que Não Vende

Em julho de 2026, a cidade de São Paulo chegou a 90.607 imóveis novos à venda. É o maior estoque da série de 36 meses que a Secovi-SP divulga, 42,2% acima de um ano antes. E isso aconteceu num mês em que as vendas ficaram 67,4% acima de julho de 2025.

Parece contraditório, mas não é. O estoque soma o que foi lançado nos meses anteriores e ainda não encontrou comprador, então ele cresce mesmo num mês de vendas fortes. Para quem incorpora, isso muda a pergunta principal: deixa de ser “quanto vou vender” e passa a ser “em quanto tempo”.

O que os números dizem sobre velocidade

O indicador que mede isso é a VSO, vendas sobre oferta: quanto do estoque disponível vira venda num período. Na pesquisa da Secovi-SP de julho, a VSO mensal ficou em 13% no Minha Casa, Minha Vida e em 6% nos demais segmentos. Traduzindo em prazo, o MCMV escoa o estoque em cerca de 8 meses. Os outros segmentos levam perto de 13.

No Brasil, o retrato da Abrainc-Fipe para o 1º trimestre de 2026 vai na mesma linha. A oferta final fechou março em 151.124 unidades, 9,6% acima do ano anterior, com duração estimada de 11,6 meses. No médio e alto padrão, a duração sobe para 14,8 meses.

Há ainda o estoque que já ficou pronto. Um levantamento da Órulo para o CIMI360, publicado pelo Portas em agosto, contou 30.085 imóveis novos concluídos e sem comprador em 11 regiões metropolitanas, somando R$ 38 bilhões em preço anunciado. Em Porto Alegre, Goiânia e na Grande Florianópolis, mais de um em cada quatro imóveis novos à venda já está pronto.

Quanto custa um mês a mais

Cada mês que uma unidade fica parada tem custo, mesmo que ele não apareça numa linha da planilha de vendas.

O primeiro é o custo do dinheiro. Com a Selic em 13,75% ao ano desde a reunião do Copom de 16 de setembro, uma conta simplificada ajuda a dar a ordem de grandeza: uma unidade de R$ 800 mil que leva 12 meses a mais para vender representa algo como R$ 110 mil de custo de oportunidade, antes de qualquer outra despesa. Não é um número de balanço, mas mostra por que velocidade vale dinheiro.

O segundo aparece depois da entrega das chaves. Unidade pronta e sem dono paga condomínio e IPTU por conta da incorporadora. Não por acaso, campanhas que assumem esses custos por um período viraram ferramenta comercial. A Eztec, por exemplo, chegou ao fim do 2º trimestre de 2026 com cerca de 36% do estoque já pronto, contra 22,4% um ano antes, e ampliou campanhas desse tipo, segundo o Portas.

O terceiro é o distrato. A Abrainc-Fipe registrou 5.763 distratos no 1º trimestre, 41,4% a mais que no mesmo período de 2025, o equivalente a 11,4% das vendas. Cada distrato devolve uma unidade ao estoque, e o relógio volta a correr.

Onde o material de venda entra nessa conta

Preço, localização e crédito pesam mais que qualquer outra coisa na velocidade de venda. Mas existe uma parte que depende de quem vende: o tempo que o comprador leva para entender o que está comprando.

Como engenheiro civil, vejo esse atrito se repetir. O comprador não lê planta baixa, não sabe se o sol bate na sala da tarde e não consegue imaginar a vista do 9º andar. Cada dúvida sem resposta vira mais uma visita, mais uma semana, ou uma desistência silenciosa. Quanto mais estoque disputa o mesmo comprador, mais caro fica cada uma dessas semanas.

Algumas perguntas ajudam a medir esse atrito no seu lançamento:

Velocidade é o indicador que importa agora

Com estoque recorde em São Paulo e quase um ano de oferta no país, o lançamento que vende rápido não é só o mais bonito. É o que tira as dúvidas do comprador mais cedo e libera o capital antes. Essa é a conta que vale olhar antes do próximo lançamento.

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Fontes

Fontes: Secovi-SP · Abrainc-Fipe · Órulo/CIMI360 · Banco Central ← Voltar ao blog
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