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O Decorado Foi Desmontado, Mas Sobraram Apartamentos: o Que Vende o Estoque Pronto

Todo lançamento tem um dia em que o stand fecha. O decorado, que custou caro e recebeu centenas de visitas, é desmontado. A equipe de vendas muda de endereço. E, em muitos prédios, ainda sobram apartamentos.

Esses apartamentos viram estoque pronto. E o estoque pronto é vendido de um jeito curioso: justamente quando o produto finalmente existe, o material de venda costuma estar pior do que estava na planta.

Trinta mil apartamentos esperando dono

Um levantamento da plataforma Órulo para o CIMI360, publicado pelo Portas em agosto de 2026, contou 30.085 imóveis novos já concluídos e sem comprador em 11 regiões metropolitanas. Somados, valem R$ 38 bilhões pelo preço anunciado, perto de R$ 1,27 milhão por unidade em média.

Na média das regiões, é um em cada oito imóveis novos à venda. Em Porto Alegre, Goiânia e na Grande Florianópolis, passa de um em cada quatro.

Entre as incorporadoras de capital aberto, o tema apareceu nos balanços. A Eztec terminou o 2º trimestre de 2026 com cerca de 36% do estoque já pronto, contra 22,4% um ano antes, segundo o Portas. As vendas de estoque cresceram 17%, mas não o bastante para reduzir esse volume de forma relevante.

O paradoxo do apartamento pronto

Na planta, o comprador tem o stand, o decorado, a maquete física e um corretor dedicado. Depois da entrega, ele tem uma unidade vazia, às vezes no 3º andar, de frente para o prédio vizinho, e alguém que abre a porta.

O apartamento pronto tem uma vantagem óbvia: dá para entrar. Mas ele também mostra tudo o que o decorado escondia. Paredes brancas, sem móveis, sem a iluminação de vitrine. Unidades de fundo e andares baixos, que ficaram para trás na venda da planta, continuam difíceis de mostrar.

E há um detalhe prático: para ver a unidade, o comprador precisa ir até lá. Quem compra para investir, mora em outra cidade ou decide em família raramente faz isso na primeira conversa.

O resultado aparece na estratégia comercial. Para girar o estoque pronto, a saída mais comum é mexer no bolso: desconto, condições especiais, incorporadora pagando condomínio e IPTU por alguns meses. Funciona, mas sai da margem. E nada disso resolve o problema de origem, que é o comprador não conseguir enxergar aquela unidade específica antes de ir até ela.

O modelo que continua trabalhando depois da entrega

É aqui que o modelo digital do empreendimento, o que costuma ser chamado de gêmeo digital, mostra a utilidade que vai além do lançamento. Se foi feito a partir do projeto aprovado, ele não envelhece quando o stand fecha.

A pergunta que vale fazer no lançamento

Na hora de contratar o material de venda, quase ninguém pensa no dia em que o stand vai fechar. Como engenheiro civil, sugiro incluir essa pergunta na conversa: o que deste material continua útil depois da entrega das chaves?

A maquete física vai para um depósito. O decorado vira entulho. O que foi feito para durar só na fase de lançamento fica caro justamente quando o estoque pronto mais precisa de ajuda para sair.

Com a oferta nacional durando perto de um ano, segundo a Abrainc-Fipe, é razoável supor que parte dos lançamentos de hoje vai chegar à entrega com unidades sobrando. Planejar o material pensando nesse dia custa pouco na largada e pode valer bastante no fim.

Estoque pronto Decorado Stand de vendas Gêmeo digital Maquete inteligente

Fontes

Fontes: Órulo/CIMI360 · Portas · Abrainc-Fipe · ABNT ← Voltar ao blog
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Seu cliente escolhe o apartamento e vê a vista real da janela dele.

Maquetes inteligentes para construtoras e incorporadoras: modelo navegável no entorno real, vista do andar, sol por data e hora e cada unidade marcada no prédio, na tela do stand.