O Prédio a Três Metros: a História Que Mostra Quanto Vale o Sol de um Apartamento | Brainzz
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O Prédio a Três Metros: a História Que Mostra Quanto Vale o Sol de um Apartamento

Em Seul existem duas torres residenciais quase gêmeas, a Vert-Vill 101 e a Vert-Vill 102. Estrutura parecida, 32 andares cada, mesmo endereço. Durante anos, os moradores das duas tinham exatamente a mesma coisa: sol e vista sem nenhuma obstrução.

Até que começou uma obra a três metros da torre 101.

O prédio novo, batizado de The Lucky Golden Suite, tirou por completo o sol e a vista da torre 101. A torre 102, logo ao lado, não perdeu nada.

Para um economista, isso é um presente raro: um experimento natural. Duas torres praticamente iguais, e só uma delas perde sol e vista. Três pesquisadores coreanos, Hyunki Hong, Hoyong Jung e Duol Kim, compararam a evolução dos preços das duas torres antes e depois da obra, usando um método chamado diferença em diferenças. O resultado saiu na Korean Economic Review em 2024:

Acesso ao sol e à vista respondia por 18% do preço dos apartamentos.

Quase um quinto do valor de um imóvel, que não aparecia como item em planilha nenhuma, sumiu quando o vizinho subiu.

O sol muda de lado quando cruza o Equador

Outro estudo ajuda a dimensionar o tema. Em Xangai, pesquisadores analisaram transações de mais de 40 mil unidades entre 2019 e 2021 e concluíram que os compradores pagam 7,2% a mais por apartamentos de face sul, bem ensolarados, em relação aos de face norte, sem sol direto. E o efeito é maior nos andares altos.

Face sul, porque na China o sol passa pelo sul.

No hemisfério sul acontece o contrário. Aqui, quem recebe sol durante a maior parte do dia é a face norte. Em Curitiba, uma das capitais mais frias do país, isso virou quase dogma. Imobiliárias locais de alto padrão costumam ranquear as orientações na mesma ordem: norte primeiro, depois nordeste e leste, com a face sul por último, associada a frio, umidade e mofo. Em bairros como Batel, Bigorrilho e Ecoville, as unidades de face norte costumam ser as primeiras a sair.

O atributo vale dinheiro nos dois hemisférios. Só troca de fachada.

O que a rosa dos ventos da planta não conta

No stand de vendas, a orientação solar costuma aparecer de um jeito só: uma pequena rosa dos ventos no canto da planta, com um "N" apontando para algum lado.

Para um engenheiro ou arquiteto, isso diz bastante. Para o comprador, quase nada. Ele não traduz "face noroeste" em "sol na sala às três da tarde em junho".

E a história de Seul mostra um segundo problema, mais sério: a rosa dos ventos não sabe o que existe em volta.

Orientação é só metade de um estudo solar. A outra metade é o entorno: o prédio da frente, a torre no terreno ao lado, a sombra que um morro projeta no inverno. Uma unidade de face norte no terceiro andar, encostada numa empena de vinte pavimentos, pode receber menos sol do que uma de face leste no décimo quinto.

A torre 101 continuou com a mesma orientação depois da obra. O que mudou foi a vizinhança.

Estudo solar como argumento de venda, não como item técnico

Na engenharia, carta solar e simulação de sombreamento são ferramentas de projeto. Servem para decidir implantação, dimensionar brises e posicionar aberturas. Quase nunca chegam à mesa de vendas, porque não foram feitas para leigo.

É aí que está a oportunidade. Quando o estudo solar sai do memorial técnico e vai para a tela do corretor, com o prédio no terreno real, o entorno real da cidade e um controle de horário e época do ano, ele deixa de ser detalhe técnico e vira argumento.

O cliente arrasta o horário para as 15h de um dia de julho e vê a luz entrando na sala do apartamento que está escolhendo. Ou vê que ela não entra, e escolhe outra unidade sabendo disso, em vez de descobrir na entrega das chaves.

Nas maquetes inteligentes da Brainzz, esse é um dos recursos centrais: estudo solar por horário e época do ano, unidade por unidade, sobre dado geoespacial real.

Com uma ressalva honesta: nenhuma simulação prevê o prédio que ainda nem foi aprovado. Ela mostra o que existe hoje. Mas o que existe hoje já é muito mais do que uma rosa dos ventos no canto de uma folha.

Moral da história

Os moradores da Vert-Vill 101 descobriram quanto valia o sol no dia em que o perderam.

O comprador de um lançamento não deveria precisar passar pela mesma experiência para entender o que está pagando.

Estudo solar Face norte Posição solar do imóvel Stand de vendas Maquete inteligente
Fontes: Korean Economic Review (Hong, Jung & Kim, 2024) · International Journal of Strategic Property Management · Axis 21 Imóveis ← Voltar ao blog
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Seu cliente escolhe o apartamento e vê a vista real da janela dele.

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