Em Vila Velha, no Espírito Santo, o TAJ, primeiro home resort do estado, ganhou uma maquete com as torres e mais de 21 mil metros quadrados de área de lazer reproduzidos em detalhe. Fachadas, piscinas, paisagismo, até carros nas vagas da garagem.
Quem fez foi uma empresa capixaba, a Maké Art, com uma equipe de cerca de 20 pessoas. O processo, contado pelo arquiteto Kainan dos Santos à Folha Vitória em fevereiro de 2025, começa no computador: blocos 3D para imprimir, depois montagem em MDF e acrílico, com iluminação funcional. Segundo a reportagem, maquetes de luxo para empreendimentos de alto padrão chegam a custar até meio milhão de reais.
Um detalhe da conversa mostra o tamanho da pressão. O empresário Cássio Trovalin diz que a velocidade com que o cliente quer lançar é tão grande que, às vezes, a equipe não dá conta de entregar antes do lançamento.
Ou seja: um objeto artesanal, de produção demorada, encomendado por um mercado que tem pressa.
O que a contabilidade diz sobre o estande
Existe uma curiosidade técnica nessa história. A norma contábil que trata das incorporadoras, o OCPC 01 (R1), publicado pela CVM, tem itens específicos sobre o estande de vendas e o apartamento-modelo. Os gastos com a construção deles vão para o ativo imobilizado e são depreciados pela vida útil estimada. Se essa vida útil for menor que 12 meses, o gasto vai direto para despesa de vendas.
A norma fala em estande e apartamento-modelo. A maquete costuma entrar na conta junto, mas isso é um assunto para a contabilidade de cada empresa confirmar.
O que interessa aqui é a lógica: o próprio padrão contábil parte do princípio de que essas estruturas têm vida curta. Elas existem para o período de lançamento e depois cumprem pouco papel.
O que um objeto único não consegue fazer
Nada disso é crítica a quem faz maquete. É um ofício difícil e o resultado impressiona, tanto que o comprador fotografa. Mas há perguntas que um objeto físico, por natureza, não responde:
- Que vista eu tenho do 14º andar, e não de cima, de onde a maquete é olhada?
- O sol bate na sala do meu apartamento às 15h de julho?
- O que muda se eu escolher a unidade dos fundos?
- A maquete está em um só lugar. E o comprador que mora em outra cidade, ou o casal que quer mostrar para os pais?
- Quando o projeto muda durante a obra, o que acontece com o objeto de R$ 500 mil?
A última pergunta é lógica, não dado: um objeto de MDF e acrílico não se atualiza sozinho.
Maquete física e maquete inteligente não competem
A maquete física vende emoção e escala, e continua sendo o ponto de partida de muita conversa no stand. O que falta a ela é o que a tela faz bem: ponto de vista por unidade, sol por horário, ficha técnica e portabilidade.
É a lacuna que a Brainzz ocupa com a maquete inteligente, um modelo navegável do empreendimento que o corretor abre no tablet e o cliente recebe no WhatsApp. Funciona ao lado da maquete física, não no lugar dela.
Quando uma equipe de 20 pessoas trabalha contra o relógio para montar um objeto, o comprador merece também uma versão que ele possa levar no bolso, abrir quando quiser e mostrar para quem decide com ele.
Para a incorporadora, a conta também muda de natureza. Em vez de um gasto de vida curta, que cumpre seu papel no lançamento e depois fica parado, o modelo digital continua útil enquanto houver unidade para vender, e pode ser atualizado quando o projeto muda.